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Estudo da USP confirma segurança da vacina contra herpes-...
Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que a vacina recombinante contra herpes-zóster é segura para pacientes com doenças reumáticas autoimunes. Os resultados contribuem para esclarecer uma questão relevante na prática clínica, especialmente em relação à imunização de indivíduos imunossuprimidos.
A pesquisa, publicada na revista científica The Lancet Rheumatology, avaliou 1.192 pacientes diagnosticados com diferentes doenças reumáticas, como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico e esclerodermia. O objetivo central foi analisar a segurança e a eficácia da vacina nesse grupo, considerado de maior risco para complicações infecciosas.
Resultados indicam alta eficácia e bom perfil de segurança
Herpes-zóster, também chamado de cobreiro, é uma inflamação viral dolorosa que pode causar uma erupção cutânea com bolhas. Photohasan/Adobe Stock
Os dados obtidos indicaram que aproximadamente 90% dos participantes desenvolveram resposta imunológica satisfatória após a administração das duas doses da vacina.
Além disso, não foi observado aumento significativo na atividade das doenças reumáticas após a imunização. A incidência de exacerbações foi semelhante à registrada no grupo controle, o que reforça a segurança do imunizante mesmo em pacientes com doença ativa.
Os efeitos adversos relatados foram, em sua maioria, leves e transitórios, como dor no local da aplicação e fadiga, sem registro de eventos graves associados à vacina.
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Resposta imunológica pode variar conforme o tratamento
Apesar dos resultados positivos, o estudo identificou que determinados medicamentos imunossupressores podem impactar a resposta à vacina.
Pacientes em uso de fármacos como rituximabe e micofenolato de mofetila apresentaram menor produção de anticorpos. Nesses casos, os pesquisadores sugerem a avaliação de estratégias alternativas, como ajustes no calendário vacinal ou doses de reforço.
Herpes-zóster representa risco elevado para imunossuprimidos
O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. A doença caracteriza-se por erupções cutâneas dolorosas, geralmente acompanhadas de inflamação dos nervos, podendo evoluir para complicações graves, como neuralgia pós-herpética.
Em indivíduos imunocomprometidos, incluindo pacientes com doenças reumáticas, o risco de evolução desfavorável é significativamente maior, o que reforça a importância da prevenção por meio da vacinação.
Indicações atuais da vacina
A vacina recombinante contra herpes-zóster é recomendada principalmente para:
Pessoas com 50 anos ou mais
Indivíduos com condições que comprometem o sistema imunológico
O esquema vacinal consiste, em geral, na administração de duas doses, com intervalo de dois a seis meses entre elas.
Desafios para ampliação do acesso no Brasil
Apesar das evidências científicas favoráveis, a vacina ainda não está amplamente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente devido ao custo elevado.
Entretanto, propostas em tramitação no Congresso Nacional visam incluir o imunizante no calendário nacional de vacinação, o que pode ampliar o acesso nos próximos anos.
Relevância científica e impacto clínico
O estudo da USP é considerado um dos mais abrangentes já realizados sobre o tema e fornece evidências robustas para orientar a prática médica.
Os resultados contribuem para reduzir a hesitação em relação à vacinação de pacientes com doenças autoimunes e podem influenciar futuras diretrizes clínicas e políticas públicas de saúde.
Perspectivas futuras
Pesquisas em andamento buscam aprimorar as estratégias de imunização, incluindo o desenvolvimento de novas tecnologias, como vacinas baseadas em RNA mensageiro, que podem ampliar ainda mais a eficácia e o acesso.