
O Brasil enfrenta um avanço preocupante nos casos de burnout, síndrome relacionada ao estresse crônico no trabalho. Dados recentes indicam que os afastamentos por transtornos mentais bateram recorde histórico, ultrapassando meio milhão de casos em 2025. Especialistas apontam que o fenômeno deixou de ser pontual e passou a refletir um problema estrutural nas relações de trabalho.

Segundo levantamentos institucionais e estudos acadêmicos, o número de afastamentos por burnout aumentou quase cinco vezes entre 2021 e 2024. O país já ocupa posição de destaque global em incidência da síndrome, ficando entre os primeiros colocados no ranking mundial.
Pesquisadores destacam que o crescimento está diretamente ligado às transformações no ambiente profissional, especialmente após a pandemia de Covid-19. A intensificação da carga de trabalho, a pressão por produtividade e a insegurança no emprego contribuíram para um cenário de desgaste contínuo entre os trabalhadores.
“A pandemia funcionou como catalisador de um problema que já existia”, explicam especialistas. Profissionais da saúde, educação e tecnologia estão entre os mais afetados, com níveis elevados de exaustão emocional e queda de desempenho.
Além disso, a cultura organizacional de muitas empresas ainda dificulta o enfrentamento do problema. Levantamentos mostram que uma parcela significativa dos trabalhadores não se sente confortável para falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho, o que contribui para a subnotificação dos casos.

